Línguas
No plano linguístico, o Québec distingue-se dos seus vizinhos imediatos principalmente pelo fato de que o francês é a única língua oficial. É também a língua comum, compreendida e falada (pelo menos de maneira mínima) por 94,6% da população.
Os Quebequenses defendem a francofonia perante o predomínio da língua inglesa. Defendem igualmente “uma norma quebequense”, da qual o regulador é o Escritório Quebequense da Língua Francesa. A Carta da língua francesa, geralmente chamada lei 101, estipula que o francês é a língua oficial da Québec. A educação primária e secundária são obrigatoriamente francesas, exceto para as crianças cujos pais estudaram no Canadá em inglês. A Carta regulamenta também que a exibição comercial deve ser em francês. Além disso, a Carta tem em conta certas obrigações linguísticas anglófonas, sobretudo de naturezas jurídicas, asseguradas pelo Ato da América do Norte Britânica (1867).
Francês Quebequense
Os Quebequenses exprimem-se, se não são anglófonos ou alofones, em francês quebequense, uma variação do francês falado sobre o conjunto do território quebequense. Os colonos franceses que vieram colonisar a Nova-França provinham em grande parte das regiões do Oeste e o Norte da França. Falavam geralmente as línguas regionais da família das línguas de oil (diferenciar da línguas occitana, faladas ao Sul). Assim, a necessidade de se compreenderem entre si conduziu os colonos “a unificarem seus dialetos” de modo que o francês quebequense tornou-se em certa medida um novo dialeto particularmente próximo ao normando, ao picardo, ao poitevin e ao saintongeais.
A contribuição dos diferentes dialetos amerindianos ao léxico dos colonos da Nova-França deve igualmente ser sublinhado: a geografia, a temperatura, a fauna e a flora do Novo Mundo apresentavam numerosas particularidades que a França não conhecia. Os Europeus se apropriaram então dos termos amerindianos para designar estas realidades, e várias destas palavras subsistem no francês quebequense ainda hoje. O nome Québec, por exemplo, provem de um dialecto algonquino, no qual a palavra significa, de acordo com as diferentes traduções, “onde o rio se estreita”, “passagem estreita” ou “estreito”.
Este francês quebequense evoluiu seguidamente sobre bases do francês do tribunal do rei da França da época, devido à chegada das "jovens do rei" na Nova-França, majoritariamente órfãs e educadas em orfanatos e conventos que inculcavam o "francês do rei".
A conquista britânica de 1759 perturbou a evolução do francês falado em Québec e na América do Norte. Cortando as relações com a França, o francês falado em Québec separou-se definitivamente do francês falado na metrópole. O francês quebequense nascia verdadeiramente, conservando o arcaismo das antigas línguas quase apagadas na França por um lado, criando novas palavras por outro, influenciado e ameaçado pela língua dos novos conquistadores ingleses.
O Inglês
Segunda língua em importância na província, o inglês é a língua materna de 572.085 pessoas (7,9% da população). Também, o Québec conta com 50.060 pessoas (0,7% da população) que consideram ao mesmo tempo o francês e o inglês como a sua língua materna.
Os anglófonos do Québec residem principalmente no oeste da ilha de Montreal e em Outaouais. São em sua maioria de ascendência britânica e céltica, provindos da Irlanda e da Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia, País de Gales).
O inglês fez a sua aparição sobre o território quebequense a partir de 1760, data da conquista britânica. Foi nessa época que os primeiros mercadores, em sua maioria, escoceses e ingleses, viriam a instalar-se nas cidades de Québec e de Montreal. A partir de 1784, a chegada dos Loyalistes que fogiam dos Estados Unidos fez aumentar consideravelmente o número de anglófonos na província. Estes Loyalistes, evitando a campanha francófona e católica, estabeleceram-se principalmente no que, hoje, constitui os Cantons de l’Est e Outaouais.
É também interessante constatar que no meio urbano quebequense do século XIX, a terceira língua europeia mais falada após o francês e o inglês, era o gaélico. Embora numerosos imigrantes vindos dos países célticos das ilhas britânicas, principalmente irlandeses e escoceses (imigrados no século XVIII e XIX), tivessem passado do gaélico ao francês, sem aprender o inglês, vários dentre eles optaram por esta ultima (especialmente os escocêses). Hoje, o gaélico não é mais falado na província, mas alguns de descendência escocesa que residem na cidade de Compton, em Estrie, continuam a utilizar o gaélico escocês. A sua proporção é contudo muito fraca. Uma outra população de língua gaélica encontra-se nas Ilhas da Madeleine, na ilha de Entrée .
Língua dos Alofones
De acordo com o recenseamento de 2006, o Québec compreende 886.280 alofones (cuja língua materna não é nem o francês, nem o inglês, mas que frequentemente falam ou compreendem pelo menos uma destas duas línguas, ambas línguas oficiais do Canadá), ou seja 11,9% da população. É necessário também acrescentar que nestes 11,9% estão incluídos 159.905 Autóctones, sendo 2,2% Québéquenses, vivendo ligeiramente por toda a parte da província e que não devem ser confundidos com os imigrantes. O governo do Québec negociou junto do governo federal para poder escolher ele mesmo os seus imigrantes com o objetivo de favorecer a imigração francófona. Até aos anos 1960, os imigrantes provinham sobretudo de países europeus (em particular italianos, judeus da Europa central, seguidos dos gregos). A partir dos anos 1960-1970, a imigração diversificou-se, entre outras coisas, com a chegada importante de haitianos, latino-americanos, de vietnamitas, etc. Os imigrantes atuais provem sobretudo da França, da China, da Bélgica, da Europa do Leste, e de diferentes países em desenvolvimento, especialmente os países da África do Norte de língua francesa, mas também da América Latina.

